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Contos Aleatórios #3 - Um beijo (im)possível?

Ps: Antes de mais nada, isso é baseado em uma história que não é minha, é de um amigo. Ele relatando um fato somado a minha mente viajante, leva a este pequeno texto.


Um beijo (im)possível?


Em verdade, eu já te observava há muito tempo. Numa época que eu era um moleque, cabeça de vento e perdido em muitos pensamentos. Eu estava aquém e muito além de você. Eu era nada.
A terra, a bailar em seus movimentos ordenados, permitem que anos se passem. Este tempo leva-me embora em sua viagem doida, me lapida e me quebra. Me muda de forma que eu nem me lembraria de quem eu era. Anos, há muitos anos.
Outros pequenos amores passaram; alguns amores curtos com a florada dos ipês, outros longos como noites de inverno e aqueles tão curtos quanto o bater de asas de uma borboleta. Pessoas passaram nessas vias tortas de minha vida e eu me esqueci de você. Por este delta no tempo, eu esqueci do ser inalcançável de minha adolescência.
Mas o tempo gosta de brincar, deixar as mãos do meu destino para um bobo da corte, apenas por diversão. Quer me testar e rir da história. Quer jogar na minha cara o improvável e mostrar que eu não sei de nada.
Após este intervalo, lá estava você. Continuava linda e eu, descrente. Eu? Que chance teria. Por mais que você tentasse me dizer, eu fechava meus olhos a qualquer possibilidade.   Era show, era meu espaço, era meu habitat natural. Nas trocas de bandas, você conversa sobre o universo e tudo mais, abria o leque e tentava falar o máximo possível. Eu porém, ainda desacreditava. Duvidava piamente, achava que era mais um blefe do destino, que curtia muito brincar comigo. "A vida é um jogo" e se tratando de amor, eu sou o perdedor.
A noite foi adentrando-se, aos poucos me convenci que aquele amorico adolescente poderia ser real. Mas eu precisava de apenas uma brecha, um momento eu e você. Momento que nunca surgia. Amigos que não desgrudavam: Percebi que durante o show seria impossível. E se saímos juntos após? Bem que eu queria, mas lá estávamos com amigos em comum, que não nos deram uma única brecha. Não importa, no bar ou no carro, não havia brecha.
Eu peguei em sua mão e  você a segurava. Seu doce toque já dizia a verdade que meus olhos se recusavam a ver. Mas é necessário sentir. Senti que no final, ficou nisso mesmo.  Eu apenas queria alguns poucos minutos a sós. Eu juro! Minha trava não deixou agir antes, minha dificuldade em me ver como alguém apto a você me silenciou. E agora eu só penso nessa noite e no que poderia ter sido e no que poderá ser...

Contos Aleatórios #2 A Garota Quebrada



Esta era uma garota que perfeitamente poderia ser eu ou você que lê este texto. Pedaços de sua história podem refletir a nossa própria realidade, e parte de sua sina poderia ser a minha. Esta é a a garota quebrada, de sonhos perdidos e despedaçados... De mente frágil, olhar moribundo e fala sufocada.

Desde ao nascer, a garota-quebrada foi instruída a como agir, como pensar e como falar. Não questione as regras do jogo, elas existem antes de mim, antes de você e de muitos outros: Jamais questione! Seja uma princesa! Acredite em contos de fadas, que o mundo é totalmente belo e tingido pelas cores da sua aquarela. Você escolhe como seu mundo será! Entre tules e tutus, seja a bailarina: dance com a graça e a leveza esperada. "Seja graciosa". Siga o manual a risca. Você está me ouvindo? O mundo é seu e se curvará a você.

E a menina quebrada começou a crescer, logo trocou deixou as bonecas para trás. Com o tempo ela percebeu que o mundo não é aquele arco-íris que com tanto zelo, coloriu. Percebeu a ditadura que lhe impuseram: Veladamente manipularam o que falar, sentir e o que vestir. Sentiu-se cativa e amordaçada. Sentiu-se só. Tão sozinha que ninguém se importava com suas lágrimas. Tão sozinha que poderia gritar e ninguém ouviria. Afinal quem se importa com cacos?

 O espelho, este cruel juiz refletindo de forma clara o que você é e como deveria deixar de ser. Criador de sentenças em mentes fracas. Causador de parte de seu tormento.

Ela sonhou em voar e um dia ser ela mesma, afinal esta é a vida dela e que ela estava apta a escolher o que fazer daqui para frente; novamente teve seus sonhos quebrados. QUEBRADOS.

Em uma unica noite, foi estraçalhada de modo irreparável. Viu seu sonho tornar-se pesadelo. Naquela noite ela não pode ver o brilho das estrelas. Naquela noite só pode sentir a dor, a vergonha e o medo. Tornou-se tão quebrada como jamais imaginou e num sopro de esperança, colheu os restos do que um dia já foi.

Contos Aleatórios #1

Um Conto escrito a Lágrimas e Sangue



E no canto da cela, curvado e repetindo as mesmas frases de sempre com seu olhar moribundo e penetrante, lá estava ele. “Venha, precisamos conversar” e o homem permaneceu em seu movimento de vai e vem assíncrono, seus olhos eram como o mar aberto em dia de tempestade: te cativa, te faz lançar-se ao mar para no fim te naufragar em sua mente doentia.
Indago-o sem resposta e o homem continuava em seu movimento perpétuo, como um pêndulo a deslizar grosseiramente, para lá e para cá. Este homem, que em tempos atrás, você partiria tranquilamente da premissa de sua total sanidade, não aparentava ter nenhum comportamento violento. Seria chamada de “homem de bem”, “homem honesto” e “homem correto”, entretanto nunca aprendeu o real sentindo do amor e sua forma cadenciada de desapego. Era daqueles que se escondiam na faceta de bom moço, mas em verdade era extremamente inseguro e escondia todos os medos na forma de possessão. Vivia um amor doentio, abusivo por essência e atribuía a sua carência a sua total falta de noção. “Eu tenho medo da solidão”, era o maior dos males que ecoava em sua mente. “Por favor, não me deixe” “Eu prometo que daqui para frente, tudo será diferente”. A dor da perda não era algo que ele aceitaria, sentir que já não estava no controle da situação, tão menos.
Seu vazio era preenchido por uma garota mais iluminada que a luz da lua cheia, capaz de levar luz a sua mente perdida. Ela era o conforto, alegria e tudo que ele precisava ter. Mas um dia ela quis ir. Ir embora, pois não era capaz de suportar a pressão desse relacionamento destrutivo. Não aguentava ter sua liberdade drenada, não aguentava ter seu sorriso domado e sua vida controlada. Um dia ela simplesmente cansou-se e foi embora.
Até um dia, havia sangue nas mãos do homem, a dor da perda de um amor tornou-se a perda de sua liberdade e consciência, selado a sangue estava seu destino. A falta de compreensão do que é o amor o levou a um comportamento doentio, que minou e fez sangrar seu raio de luz. A lembrança do momento de fúria retorna como navalha, o corta todos os dias, viu aquele rosto meio com uma expressão de pavor e suas mãos algemadas. Uma forma bizarra de amar, uma forma doentia de amar. O destino de ambos, selado.
“Os vizinhos relataram constantes brigas” “Ouviram gritos” “Chamaram a polícia”. Tarde demais para a pobre garota. Tarde demais.