Prólogo: Alea jacta est (a sorte está lançada)
Neste momento, posso me definir com um andarilho, pois sou apenas um ser a vagar pela imensidão desse mundo. No devido momento mais informações a meu respeito lhe serão ditas, por enquanto contente-se em saber apenas esta nova informação: não sou um ser qualquer. Não, não tenho em mim a pretensão de me vangloriar ou colocar-me em uma posição superior a ninguém, apenas quero dizer: não sou o que você provavelmente pensa que sou, ou talvez não, quem poderá dizer? Por ora você já sabe que sou um ser solitário a vagar, poderia também acrescentar que o que lerá a seguir é apenas um caderno de folhas amareladas com algumas páginas rasgadas. Escritas durante essa “viagem” se assim pode ser chamada. Que a sorte seja lançada, que os pés estejam preparados para caminhar; que os ouvidos estejam limpos para escutar; que as línguas saibam o que falar e que os corações inflamem de amor.
Sim, sou um pobre andarilho a observar esse singelo planeta azul, um narrador omisso, que apenas pacientemente observa e registra o máximo que puder. Nessas andanças, contemplei as mais diferenciadas situações e pude observar sobre um diferente ponto de vista. Não reparem a simplicidade dessas anotações e deste pobre andarilho que não tem o dom da palavra.
~~ Você já leu alguns versos soltos, algumas cartas incompletas atriradas o chão, agora veja a origem desses versos, como isso tudo começou... ~~
Andando mais um vez, lá está o andarilho, sozinho. Perdido em suas próprias palavras, esquecido pelos próprios atos, aqui está ele mais uma vez: sozinho.
Ele observar atentamente todos ao seu redor, especialmente suas posturas e formas de agir. Ele observa com os mesmos olhos de um falcão que vê a sua presa a metros de distância; como um leão segundos antes de atacar e como uma cobra a dar o bote. Com sentidos de uma fera, nada passa do seu olhar!
Humanos são seres peculiares, pois neles há em sua excência, uma pouco de maldade e um pouco de bondade, além de uma das maiores dádivas (ou quem sabe maldição) que qualquer ser poderá desejar: o livre arbítrio. Estão a todo momento escolhendo, cada uma dessas escolhas vai ajudando a determinar qual lado é o mandante. A única verdade é que eles podem trocar de lado a qualquer momento, são seres bastante instáveis. São como as ondas em dias de tormenta, não se sabe para que lado se quebraram ou como as folhas das árvores, podem cair em qualquer canto. Essas caracteristicas únicas são capazes de instigar a curiosidade de qualquer ser. Decide então observar por um tempo maior
Ele vê falsas promessas, juramentos sem sentido e a hipocrisia das pessoas. Vê que o mundo selvagem não é tão distante da realidade humana, onde há apenas uma singela diferença: o mais forte devora a sua presa por puro prazer, diferentemente do mundo animal, onde isso ocorre por necessidade.Sedentos, eles atacam uns aos outros sem hesitar!
--- Pequena nota do Andarilho ---
A perdição! Que animal é esse que cava com as próprias mãos a própria destruição e a camufla com bons ideias? Um suicida em potencial, que marcha glorioso, sem saber que caminha para o fim. O vale dos condenados está próximo, é melhor se preparar pois, aqueles que por ali entrarem terão um caminho árduo pela frente, ou será que existe um retorno? Afinal são seres da contradição, podem sempre surpreender a mudar suas escolhas. Basta saber qual dos lados eles enfim escolherão!
Pegue a sua trilha, andarilho!
Este sou eu, uma alma errante a vagar no grande espaço que é o universo. A andar por diversas trilhas, a errar de caminho e pegar atalhos... tudo isso para chegar a uma sáida. A saída de minha mente moribunda, confusa em seus próprios pensamentos. A alma errante a caminho de casa, o grande trovador com sua viola de corda. O feiticeiro sem o dom da mágica... Aquele sem varinha e o dom da intuição, o mero aprendiz que não sabe nada dessa vida.
Sigo por muitas trilhas, que me levam as vezes ao desespero por não achar a luz. Trilhas escuras, tristes e desoladas, como se não houvesse um mísero ser além de mim. Caminhdo erroniamente pela imensidão do mundo, sonhando algum dia retornar...
Caminhado pelos labirintos nos confins de minha alma, para encontrar os sentimentos que ali jazem... A uma grande trilha para percorrer, a estrada é difícil, muitos são os caminhos e poucos são os guias contudo assim mesmo eu vou, carregando a pouca bagagem que me resta pois cada jornada é mais um dia solitário comingo mesmo... A alma errante!
E assim começa a longa jornada deste andarilho, uma jornada de uma busca do autoconhecimento e da verdade escondida além do seu olhar.